Sep 29, 2014

Hands of Destination - My first essay (Cemeterial Arts)

My first essay about cemeterial arts. In Ana Rosa de Paula cemetary, in Jaú, SP, Brazil
Meu primeiro ensaio sobre Arte cemiterial. No cemitério Ana Rosa de Paula em Jaú(SP).
Dia 27/09/2014 
Nome do ensaio: Hands of Destination (mãos do destino)




































Sep 19, 2014

Não. Nada mudará...

Não haverá milagres, um salvador, um mártir ou um recomeço para o Brasil. Independente de quem seja o novo presidente só há uma coisa que podemos fazer se quisermos por em prática o verbo mais usado nas campanhas de todos eles: mudança. Hoje a pressão parte deles para nós, com altos juros, desemprego, inflação, educação duvidosa, saúde precária, falta de moradia, falta de saneamento básico e não há perspectiva para mudanças nos próximos 10 anos.


Sim, muitos de nós não estará vivo para ver isso, mas há algo que podemos fazer. Não é fácil, não é imediato, e vai custar sangue, morte e muito protesto. O que temos que fazer é inverter o fluxo de pressão. A pressão deve vir de nós para eles. Como? Indo pra rua? Não!

Ir para rua é só uma parte pequena do processo. Nós devemos adquirir conhecimento jurídico, conhecimento técnico em todas as áreas que queremos melhorar: transporte, educação, habitação, saúde pública e etc. E com esse conhecimento, levar projetos de nossa autoria e fazer pressão popular para que esses projetos sejam ao menos apreciados. Uma boa estratégia é perseguir os orgãos de classe envolvidos, como por exemplo, Conselhos, Associações, Federações, Ong's e mais gente para dar amplificação às nossas reivindicações.

Ir para rua, pintar a cara, escrever cartazes e gritar, são ações que amplificariam todo esse movimento. Deveriamos criar um movimento nacional de insatisfação, com gente interessada, engajada e disposta a trabalhar unica e exclusivamente com o objetivo de por nossos representantes para trabalhar na base da cobrança, da pressão financeira, da pressão da mídia, da pressão nas ruas. Um movimento de insatisfação com ações assertivas e organizadas certamente faria um barulho na comunidade internacional e certamente traria frutos em médio longo prazo. Esse talvez seja o único caminho, pois nenhum candidato irá fazer o que está se comprometendo a fazer.

Simplesmente porque se não há comprometimento nosso, não há porque haver comprometimento dos governantes.


Sep 18, 2014

U2: novo disco, lançador de foguete e mobilete

Longe das polêmicas e opiniões controversas sobre a jogada de marketing da banda irlandesa junto ao Itunes, me atenho apenas a analisar como fã assíduo, a mais nova obra de uma de minhas bandas preferidas na década 1990 até a metade dos anos 2000. Não serei alguém que joga fora todos esses anos de adoração pelos discos épicos e pelas várias vezes em que este quarteto resolveu inovar e promover os maiores espetáculos midiáticos do showbizz, não é essa a intenção. Mas o recém lançado “Songs of Innocence” nos proporciona uma aventura musical nova e estranha demais.

Sua audição é sugestiva e tem pitadas que nos remetem à sonoridade que consagrou os seus melhores clássicos nas décadas de 70 e 80, com “Sunday Bloody Sunday” ou “Where The Streets Have No Name”. Sei lá, de repente de tanto criticar, senti falta das guitarras carregadas de “delays” e “reverbs”, das tímidas distorções que balançavam com o gangorrear do pedal “wah –wah”. Sim elas aparecem, mas em grandiosidade duvidosa.

Brinquei ainda ontem com um amigo que um dia fora fã de Bono Vox e equipe: “Cara a audição deste disco é custosa.”

Em minha cidade há um viaduto inclinado em 90 graus, os carros mais possantes sobem sem maiores esforços, os motores mais fracos andam como tartarugas. De tão inclinado, um dia o viaduto teve o carinhoso apelido de lançador de foguetes. Subir de bicicleta? Só se for empurrando para chegar mais rápido e com as pernas inteiras. Mas eu já presenciei alguém tentar subir o viaduto montado em uma mobilete daquelas antigas de 50 cilindradas. Subiu, mas...


Ao ouvir o novo disco do U2, não encontrei metáfora melhor para explicar o quanto o disco demora a deslanchar. Estranho pois nos áureos tempos, os hits já vinham “na cara”, logo nas primeiras faixas, o que nos dava algum fôlego e acabava “vendendo” o disco e o livrando de quaisquer desconfianças. Parece até que o disco foi gravado ás pressas, apenas para cumprir contrato e render mais alguns milhões de dólares ao império bonovoxiano. Parece? Bom o disco foi anunciado em um junho, salvo engano, assim que os primeiros bochichos surgiram os fofoqueiros mais graduados do showbizz logo vazaram até as supostas datas da banda para 2015, algumas sugeriam a vinda do U2 para o Brasil.


Muita conversa e pouco som. Vou escutar os discos “Hattle and Hum”, “Acthung Baby”e “POP”, pois controverso por controverso eu fico com os discos que marcaram a sonoridade destes caras em mim!

Sep 13, 2014

Nunca. Jamais você terá comprado tudo o que deseja.

Essa semana, inspirado por um livro de Clóvis de Barros Filho e Mário Sérgio Cortella, dediquei-me a provocar algumas auto-reflexões sobre a ética, sobre o comportamento humano nos dias atuais, assim como me sugerir alguns posicionamentos sobre temas que nem sempre tive coragem/vontade de refletir. Embora não tenha sido citado diretamente no livro, o primeiro tema que me provocou uma profunda reflexão sobre os meus hábitos e das pessoas que convivem diariamente comigo é o consumo.

E como a reflexão acabou atraindo situações de aprofundamento, no decorrer da semana, tive o prazer de ter um contato com um casal que aplica como ninguém a prática do desapego e da simplicidade. E você vai entender o que eles tem a ver com a minha reflexão nas próximas linhas. Ele Reginaldo, ela Juliana, ambos acompanhado por uma pequena cadelinha Schnalzer chamada Sofia, viajaram 53 mil quilômetros pelo Brasil e por países da América do Sul. Junto com roupas sujas e canseira, trouxeram na bagagem experiências, contatos, lições e aprendizados, resultado do contato direto com culturas e pessoas de tudo quanto é jeito.


Num destes dias em que pude assistir às suas palestras, o tema consumo foi abordado de forma singular e indireta por eles. Afinal eles tiveram que aprender a conviver com pouco, aprenderam a contar com a ajuda das pessoas para as mais diversas situações. Racionar a comida, contabilizar os gastos com a gasolina do carro, gerenciar roupas entre outras ações, foram resumidas em poucas palavras durante a palestra. Afinal, quando você para de consumir, sua vida começa a entrar nos eixos, você sente paz, principalmente quando consegue eliminar dívidas advindas de suas práticas antigas. Quanto menos você consome, mais você percebe que não precisa consumir tanto, e quanto mais você cria essa percepção se torna uma pessoa simples que sabe apreciar as coisas simples da vida e não se martiriza por não ceder aos apelos da "usina de consumo".

Aliás, voltando ao livro tirei uma reflexão sobre qual é o poder exercido pelo consumismo em nós:

Nunca. Jamais você terá comprado tudo o que deseja. Essa é a promessa mais visceral que o consumismo tem para você. Porque no sistema, o seu querer só é um sonho/desejo até o momento em que você compra. A partir do momento em que você comprou o que queria, o consumismo exclui a sensação de desejo sobre aquilo e aquilo passa, a partir do instante seguinte da compra, a não servir mais como um sonho ou desejo que valha a pena. É um saco sem fundo, um gerador de insatisfação infinito. Você quer até ter, depois aquilo não serve mais, você precisa ter mais que aquilo, porque você entrou na corrente deste rio de águas turvas e perigosas do consumismo.

Aug 28, 2014

O barulho que o silêncio faz

(Matéria publicada originalmente na Revista Ethos, edição de maio de 2014)


por Giovanni Perlati

Reveillon, Carnaval, Copa do Mundo, festas e baladas o ano todo, qualquer hora é hora, qualquer lugar é lugar. Um carro bonito, um som potente, garrafas de vidro e ruídos estridentes. Selam angústias, amnésias temporárias. O barulho é a companhia que desejamos para esquecer quem somos por algum momento? Mas o silêncio pode ser ainda mais ruidoso que qualquer barulho, porque promove o encontro de nós com nós mesmos.

Imagine o seguinte cenário: a torcida eufórica, milhares de pessoas nas arquibancadas, 22 homens concentrados no gramado. O árbitro caminha até o centro do campo e quando todos esperam o apito inicial do jogo, ele pede um minuto de silêncio. Alguém morreu e precisa ser lembrado, precisa deste respeito. E se o silêncio representa o aquietar em memória de alguém que se foi, ele está muito além de um simples cessar de ruídos. Ele vai até a mente de poucos que ali se importam para representar boas memórias e o luto, o silêncio é importante ao ser humano.

O luto, o respeito, a memória e a homenagem são da cultura e do comportamento humano, assim como o silenciar. Sendo assim, podemos nos provocar sobre o que é, quando e como o silêncio se manifesta em nós e porque as pessoas optam por ele. Afinal de contas, o silêncio se refere somente à fala e escuta? A Revista Ethos provocou esta reflexão em três pessoas que se relacionam de formas diferentes com o silêncio. Um professor de yoga, um músico e um deficiente auditivo. As conclusões a partir do próximo parágrafo são subjetivas, mas podem ajudar a pensar mais sobre os diversos tipos de silêncio.

O fato é que independentemente das diferentes facetas do silêncio, vivemos em um mundo cada vez mais ruidoso. Talvez reflexo da vida moderna, das tecnologias, das ansiedades e do imediatismo, talvez um efeito colateral do estilo de vida que escolhemos. As pessoas falam cada vez mais alto, tem equipamentos cada vez mais barulhentos, carros, escapamentos, buzinas, som, sapatos, roupas e badulaques de todos os tipos. Aplaudem sem necessidade, soltam fogos e gritam umas com as outras. E a existência se torna um liquidificador de barulho, desencontros e ansiedade.

“A necessidade cada vez mais aguda de ruído só se explica pela necessidade de sufocar alguma coisa.” A frase foi citada pelo escritor austríaco e prêmio Nobel de Fisiologia/Medicina, Konrad Lorenz. Embora antigo, o tema nos encaminha para uma discussão filosófica sobre algo tão banal e que incomoda tanta gente de forma inconsciente. Mas a falta de silêncio da sociedade pode refletir não só as suas angústias da alma, mas também fatores comportamentais do humano nos dias de hoje.
Analisando isoladamente a frase de Konrad, podemos refletir sobre estes fatores comportamentais. De acordo com o psicólogo Rubens Reinaldo Ruiz, de Jaú, para analisar a frase solta e descontextualizada, é preciso buscar entender o que o autor quer dizer com necessidade de ruído. A que tipo de ruído o autor se refere de fato? “Para ele, a única explicação está na ‘necessidade de sufocar alguma coisa’. Mas pode ser, também, por desejo de incomodar. Pode ser por desejo de chamar a atenção. Pode ser um tipo de protesto”, conclui.

Silêncio que eleva

Meditar se torna um desafio para muita gente, pois se trata não só de calar a boca e o corpo, mas aquietar a alma, a mente e o coração com um exercício cada vez mais raro, parar tudo o que está fazendo. “Tudo é muito sonoro, colorido, chamativo, luminoso, estas coisas agitam muito nossa mente, são informações que ficam gravadas no subconsciente. Raramente fazemos uma pausa durante o dia e nos voltamos para nosso interior e nos aquietamos”, afirma o professor de Yoga, Rodrigo Furuta, 29 anos, de Jaú.

Para ele, entender o silêncio e praticar a meditação pode provocar grandes mudanças nas pessoas de modo individual e também na sociedade. “Se todos tivessem o hábito de parar alguns minutos por dia, se afastar de estímulos sensoriais e aquietar-se por alguns instantes, seguramente a sociedade estaria mais em paz e trilhando um caminho mais próximo do amor.”
Furuta explica que as pessoas confundem a busca por meditação ou Yoga com práticas religiosas ou pensam que é necessário se enquadrar em algum grupo social ou seita. “Qualquer pessoa, de qualquer idade, sexo, religião, crença, formação pode praticar. Existe muita mistificação na cabeça das pessoas para algo que é simples e puro, algo que na verdade está na essência do ser humano: buscar a paz e a felicidade.”

O psicólogo Rubens Reinaldo Ruiz reitera que a concentração, a questão da inquietação e geração de ruídos, são fenômenos que não podem ser generalizados pois não dependem única e exclusivamente do silêncio. “É impossível generalizar e determinar razões. O máximo que se pode fazer é descrever possibilidades e, mesmo assim, poderão aparecer outras que não pensamos. O ser humano é surpreendente e fantasticamente único. Ninguém é ou faz as coisas como outra pessoa.”

De olhos fechados

Quando nos queixamos de muito barulho no ambiente, quase sempre é por uma questão de incômodo. Queremos realizar alguma tarefa simples, mas o ambiente agitado não possibilita a concentração, o que para muitos é perturbador. Mas você já parou para refletir como essa necessidade de silêncio vai além dos sons e pode ser percebida e sentida por todos, inclusive por um deficiente auditivo? Com o auxílio do intérprete de Linguagem Brasileira de Sinais (Libras), Adauto Antonio Caramano, entrevistamos uma pessoa para tentar compreender como é essa percepção.

A professora Mariana Didone, 22 anos, nasceu com surdez profunda após a sua mãe ser acometida por rubéola durante a gestação. A sua deficiência foi descoberta aos 23 dias de vida, quando seu irmão José Augusto, estourou uma bomba perto do carrinho de bebê onde ela dormia, após o estrondo sua mãe percebeu que ela não acordou com o forte ruído. Ela provavelmente teria acordado com o susto ou esboçado alguma reação como o choro. Como reagimos de forma intuitiva com relação aos ruídos, é fascinante tentar compreender como ela percebe a questão do silêncio nos ambientes.

“Para meus ouvidos, há silêncio, mas para existir a tranquilidade e concentração é necessário fechar os olhos, pois como sou surda, a visão fica mais 'sensível' à qualquer manifestação do que acontece ao meu redor”, traduz o intérprete de Didone. Ela usa um aparelho auditivo que permite que ela ouça alguns ruídos sonoros como gritos, ‘cantadas de pneus’ e sirenes, o que se complica em ambientes barulhentos. Seus olhos assumiram o papel sensível dos ouvidos e a paz, contemplada no silêncio de quem ouve, pode ser alcançada por ela ao fechar os olhos.

Entre pausas e notas

Não dá para refletir sobre barulho, silêncio, alma e estímulos sensoriais, sem falar de música. Os sons emitidos de forma linear, organizada e compassada, são talvez a melhor forma de representar o poder que a manifestação do som tem de intervir em qualquer ambiente. É assim com o canto dos pássaros e com os sons da natureza. Tudo se resume a palavra harmonia e talvez ela seja o retrato fidedigno de que é possível conviver com os ruídos e sons, desde que estes interfiram de forma coerente em nossa realidade.

A pianista e professora de música Carolina de Oliveira Corrêa, 31 anos, de Botucatu, tem uma relação direta com a harmonização de sons e durante as suas aulas procura ensinar na prática a diferença entre o que é ruído, o que é som e porque o silêncio é importante. “Acontece muito em aulas minhas, por exemplo, eu ouvir buzina aqui, da rua, carro com som alto, isso é muito comum e normalmente eu paro a aula, espero passar, e depois dou continuidade.”

Para ela o silêncio compõem de forma fundamental a estrutura harmônica das músicas e talvez, em alguns tipos de música, seja mais possível perceber a interferência que o som organizado e o silêncio tem em nós. Algo como um efeito que ameniza ou afasta o caos interno. “Inclusive usamos figuras musicais para representar o silêncio também, as chamadas pausas ou figuras negativas. A música é um equilíbrio de som e silêncio, o efeito ‘anti-caos’ é percebido dentro de cada um”, conclui.

Gritaria interna

Ficar um dia, dois ou três sem falar absolutamente nada pode ser algo inimaginável para alguém que está acostumado a se manifestar a todo instante. Imagine que existe uma técnica de meditação com mais de 2.500 anos que tem como proposta o silêncio absoluto por 10 dias, apenas meditando e observando a respiração.

Para o professor de Yoga, Rodrigo Furuta, 29 anos, a incrível experiência teve efeitos e resultados muito particulares. “Durante os 10 dias muita coisa passa pela tua mente e apesar do silêncio geral entre as pessoas, posso afirmar que a ‘gritaria interna’ faz muito mais barulho que se todos estivessem falando ao mesmo tempo. É uma experiência muito profunda e te faz crescer muito.”


O curso de meditação Vipassana acontece o ano todo no interior do Rio de Janeiro e agora também no interior de São Paulo. Vipassana é o nome da técnica de meditação que Buda usou para se iluminar e foi mantida intacta por gerações e gerações de mestre. Mesmo com o budismo tendo se misturado com diversas culturas orientais a técnica permaneceu inalterada ao longo destes 2.500 anos.

Aug 26, 2014

Mudanças?


O verbo mais usado nas propagandas políticas é: mudar.

A ação menos praticada na história política do país é: mudança.

Sempre os mesmos, as mesmas práticas, os mesmos escândalos, as mesmas quantias roubadas, os mesmos métodos, as mesmas famílias no poder, as mesmas financiadoras de campanha, a mesma incompetência, a mesma inércia, a mesma desqualificação, os mesmos partidos a mesma mesmice. 

Aug 25, 2014

Sobre eleições: votar no menos pior ou não votar? Eis a questão.


O brasileiro, influenciado pela cultura cristã, tem o feio costume de sempre esperar a vinda de um salvador externo. Em qualquer setor da vida, nos problemas financeiros, nas dificuldades dos estudos, nas desventuras do amor e, por que não, na política?

Esperamos alguém que chegue e transforme incompetência em qualidade, multiplique os empregos, baixe a inflação, facilite o consumo, não roube e etc. Somos mimados por essência. A espera romanceada do "salvador" que milagrosamente nos renova e enche de esperança.

Há muito, tenho pensado em anular o voto ou justificar. Não como protesto, mas por falta de opções. Por querer escolher o melhor e não o menos pior. Ao mesmo tempo penso que me abster desta responsabilidade é fazer o mesmo que "Poncio Pilatos": lavar as mãos e deixar que merda seja feita.

O fato é que na falta de opções começa a nascer em minhas reflexões, o desejo de optar pelo inédito. Um presidente e um governador que nunca estiveram no poder, um senador diferente e deputados desconhecidos. Se a meta é quebrar a corrente corrupta, vamos encher Brasília de gente diferente e tentar quebrar a lógica. Mas ainda há um pouco mais de um mês para as eleições, até lá quem sabe as preces não são atendidas para que os "de sempre" não ressucitem no terceiro dia.



Obs: esse texto só é válido para quem descarta totalmente a hipótese de fraude nas urnas eletrônicas e no sistema eleitoral brasileiro.

Jul 30, 2014

Vinil Vintage: do chiado ao saudosismo

por Giovanni Perlati
publicada originalmente na Revista Ethos, de Barra Bonita

Eles surgiram na década de 1940 se tornaram uma coqueluche nos anos 70 e 80, fizeram a trilha sonora dos bailes de garagem, uniram muita gente nas discotecas, mas com os avanços da tecnologia, logo foram substituídos. Os Long Plays (LP’s), popularmente conhecidos como discos de vinil, assistiram das prateleiras dos cebos e depósitos, o surgimento e evolução das mídias como a fita K7, o Compact Disc (CD) e mais recentemente a Mp3.


Já faz algum tempo. Nossos olhares atentos ao mundo virtual e digital nem reconhecem mais o chiado e o barulho de quando a ultima faixa terima e está na hora de virar o disco. Alías foi isso que a indústria fonográfica fez, virou e esqueceu o LP. E quem diria que em meio à era da mídia invisível, da música à venda no Itunes e do acesso facilitado pela internet, o velho bolachão preto ainda faz os olhos e os ouvidos de muita gente brilhar por aí. Tanto é verdade, que os aficionados por LP’s estão ressurgindo e aos poucos formam um mercado de compra, venda e troca para compor seu acervo.

A paixão pelos vinis, desde criança, transformou o autônomo Everton Luiz da Silva Barbarossa, 31 anos, em uma espécie de referência no assunto na cidade de Jaú. Com aproximadamente 1500 discos em sua coleção, o gosto pela velha mídia foi herança de seu pai. A facilidade de comunicação proporcionada pela internet e a busca por novos exemplares fez com ele expandisse seus contatos e para manter esse acervo ele negocia com pessoas de várias partes do país.

“Desde pequeno, meu pai e meu tio sempre escutavam e eu aprendi a gostar também. Eu vivi muito à fase dos CD’s, vi o vinil ‘quase morrer’ e ressurgir. Ai um dia me deu uns ‘cinco minutos’ e resolvi ir atrás de um aparelho e comecei a ‘caçar’ novamente os discos,” afirma Barbarossa. A maioria dos negócios feitos por ele, têm os contatos iniciados em um grupo fechado no Facebook. O grupo Vinil Vintage, foi feito especialmente para comprar, vender e trocar discos de vinil e atualmente tem 120 membros.

José Benaelso Sobral - Foto: arquivo pessoal/facebook
Foi em 1967, quando o técnico judiciário José Benaelso Sobral, 60 anos, adquiriu o seu primeiro compacto de vinil. Fã de Beatles, como todo jovem da época, o item tem um valor especial mesmo que com apenas duas músicas: Please Please Me e From Me To You. O item raro ainda compõe o seu acervo, onde já existem 1300 discos dos gêneros mais variados. Destes exemplares, pelo menos 300 ele reserva para negociar com outros colecionadores.

Hoje, 46 anos após o primeiro bolachão, Sobral é taxativo ao afirmar porque prefere o LP às outras mídias mais recentes. “O som do CD não tem peso, a arte gráfica do vinil é incomparável. São verdadeiras obras de arte. Toda a magia, energia e graves somem no CD. O som do vinil é muito mais encorpado e mais próximo do som imaginado pelo artista, além do mais o ser humano é analógico e não digital (leia Analógico x Digital),” justifica o colecionador.

Feirinha

O número de colecionadores em Jaú tem crescido tanto, que eles mesmo têm se mobilizado para promover a prática. Nos meses de julho e agosto de 2013, a feira Venda e Troca de Vinil, foi realizada por outro grupo local do Facebook. O grupo Eu Gosto é de Vinil, com 411 membros, reúne não só colecionadores, mas todo tipo de gente que tem algo a compartilhar sobre o assunto. A feirinha reúne os apaixonados em um bar local, com som ao vivo os interessados pagam um ingresso simbólico ou um quilo de alimento não perecível, levam seus discos para troca ou venda e aproveitam para conhecer e socializar com os amigos virtuais.

Arte além da música

É consenso entre os colecionadores. O rock and roll foi o maior responsável pela paixão destes aficionados por discos. A indústria fonográfica da época sempre trabalhou com os artistas Pop, aqui no Brasil com a música Sertaneja, Pagode, a popular música romântica conhecida como brega e até as bandas do tímido rock nacional. Porém é impossível falar sobre discos de vinil sem citar as grandes obras do rock internacional com artistas como Elvis, Beatles e Rolling Stones.

“Eu sou bem eclético, mas dos meus discos 70% são de rock e uns 30% de outros gêneros”, afirma o representante comercial, Veimar Alexandre Franzini, 41 anos. Em seu acervo de 346 discos, o álbum Metamorphon dos Rolling Stones é o favorito. “O curioso desse disco é que foi feito com sobras (composições) de estúdio na época em que os Stones estavam trocando de gravadora para lançarem seu próprio selo. Para mim é um dos trabalhos mais criativos da banda.”

A história do rock e do Long Play se confundem neste caminho musical, principalmente no período que marca o final da década de 1960 até meados de 1990, quando o CD foi popularizado. A embalagem gráfica ilustrada era um dos diferenciais, pois fazia com que a obra fosse composta não só pelos artistas músicos, mas também pelas artes nas capas e encartes. Alguns destes álbuns são inesquecíveis não só pela sua música, mas por causa do apelo emblemático na ilustração ou na foto impressa.

The Dark Side of The Moon - Pink Floyd
Como o ser humano é acostumado a, nas entrelinhas, julgar o livro pela capa, as obras feitas por ilustradores ou fotógrafos de forma rudimentar era o que atraia os fãs para o consumo da música. Algumas destas capas foram eternizadas pela crítica, pelos ouvintes e marcaram momentos do rock, como o disco The Dark Side of The Moon da banda Pink Floyd, Alladin Sane do cantor David Bowie, a polêmica capa do Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band dos meninos de Liverpool e a tradicional faixa de pedestres do disco Abbey Road, também dos Beatles, ou então, o bebê nu em uma piscina, retratado no disco Nevermind, da extinta Nirvana.

Na visão dos colecionadores, o vinil possibilita o consumo da música não só com os ouvidos, mas com os olhos e com a alma. “Acho que é um lance mais sentimental“, afirma o autônomo Everton Luiz da Silva Barbarossa, 31 anos. O fato é que a cada vinil na estante, esses apaixonados por discos sentem-se donos de uma riqueza artística incalculável e esquecida pela modernidade, mas não menos valorizada por quem realmente sabe reconhecer a qualidade destes trabalhos.

Analógico X Digital

Parte do processo de fabricação do disco de vinil.
Entre histórias, gostos, nostalgias e o som da agulha acariciando o vinil. A cada rotação no toca discos, uma memória, uma lembrança, ou apenas uma boa música para se ouvir. Afinal, que há de tão diferente entre o LP e o CD? Será somente saudosismo exagerado ou realmente o som dos LP’s é superior ao do CD. Os amantes do bolachão defendem com riqueza de detalhes as vantagens em se consumir música na versão analógica.

“O som do vinil é mais próximo do real. As frequências são mais reais, os graves são mais fortes e mais aveludados e os agudos são mais doces no vinil e ainda tem a capa que é mais apresentável do que no CD”, afirma o representante comercial, Veimar Alexandre Franzini, 41 anos. O chiado característico da agulha percorrendo o disco e os traços sonoros parecem levar a música o mais próximo possível das frequências percebidas pela audição humana, enquanto no CD esses fatores podem ser facilmente prejudicados pela tecnologia digital.

De qualquer forma é possível tirar uma importante reflexão em torno desta comparação entre o analógico e o digital. Os discos de vinil não são tão simples de serem pirateados em contrapartida ao CD, DVD e é claro da distribuição desordenada de Mp3. Talvez uma possível solução para a infindável crise na indústria fonográfica, porém não tão simples assim em função do custo para se produzir esse tipo de mídia novamente.

Vanguarda

Ainda sim, é possível comprar tanto os toca discos, quanto discos novos e usados. No Brasil existe a Polysom situada no Rio de Janeiro. A fábrica de vinis foi uma das centenas a fecharem pela crise da indústria. Mas com a volta da demanda pelos discos de vinil nos Estados Unidos e Europa, a fábrica reabriu sob nova direção e hoje trabalha na confecção de versões analógicas de vários artistas da atualidade.

Nomes como Nação Zumbi, Tom Zé, Marcelo D2, Pato Fú, João Bosco, Iron Maiden, Daft Punk, entre outros, se mantém explorando este nicho de mercado. Colocando nas prateleiras de livrarias e lojas especializadas, suas obras atuais na versão LP, e assim, contemplando os fãs assíduos pelo bom e velho disco de vinil.

Fotos: não foram as mesmas publicadas na Revista Ethos originalmente em 2013, foram retiradas de arquivos pessoais e imagens do google, apenas para ilustração.

Jul 29, 2014

Microdermal ganha preferência do público

No universo das modificações corporais ter adereço discreto é opção estética e menos invasiva

por Evelyn Nadaletto
colaboração Giovanni Perlati

Thais Izar; detalhe no antebraço.
Imagine-se com um piercing no pescoço, ou quem sabe se sua língua fosse separada ao meio e se transformasse em duas. Que tal implantar metal sob a pele para mudar o seu aspecto físico. Parece algo dolorido e assustador á primeira vista, mas cada vez mais os procedimentos chamados de Body Modification ganham adeptos pelo interior.

A justificativa pela procura desta técnicas modernas está na necessidade que o ser humano tem de se expressar diferentemente dos demais. Deste modo muitas pessoas utilizam das técnicas de tatuagens e body modification para destacar preferencias religiosas, artísticas, culturais e talvez a com maior apelo, a estética.

Em tempos em que se prima cada vez mais por aperfeiçar as curvas do corpo, e em muitos casos se faz uso de susbtâncias proibidas, os body moders, como são chamados os adeptos das modificações corporais preferem ir na contramão e quase sempre provocam incomodos nas pessoas tidas como dentro dos padrões estéticos impostos pela sociedade.

Implante subcutâneo
A body piercer Thaís Izar, diz que achou a técnica com um resultado estético final muito bonito. Há cerca de 20 dias ela colocou o seu primeiro microderamal no braço e agora se prepara para o aperfeiçoamento na técnica e para posteriormente aplicar no estúdio no Grillo Tatoo, em Jaú. “Vi pela primeira vez na internet e de cara já gostei. Nisso já me passou pela cabeça fazer uns no meu corpo e inovar o Studio, aprender as técnicas para aplicação. O microdermal é novidade, é como se fosse o 'novo piercing' e por ser mais discreto talvez ele possa ser mais aceito sim”, afirma Thais.

Uma das técnicas que ganha destaque no universo das modificações corporais é a Microdermal. Que estéticamente se assemelha a um piercing, porém com a diferença que há apenas um ponto no dispositivo, a entrada. O visual chama a atenção, pois se parece com um prego cravado no corpo. Muitas pessoas usam em locais como bochechas, próximo à boca, pescoço ou braços. A técnica pode ser aplicada em qualquer parte do corpo.

“Eu acredito que qualquer tipo de procedimento pode ser feito em qualquer parte do corpo. Isso não quer dizer que o resultado seja satisfatório. No caso do microdermal procuro fugir sempre de locais com pouca gordura e muita articulação, onde a cicatrização é mais demorada e o risco de atrito é bem maior”, afirma o body piercer Paulo Vitor, do Holy Ink Studio, em Barra Bonita.

Preconceito

Mesmo com a prática incorporada a tendências de comportamento e até na moda, o preconceito e os “olhares tortos” persistam. Os adeptos das modificações corporais precisam se preparar psicologicamente, pois da mesma forma com que a tatuagem um dia foi rótulo para preconceituosos, a prática ainda é uma novidade e causa estranhamento em vários locais.

“Ja sofri sim e não faz muito tempo. Fui ao SUS passar por um gastro, precisava de uma endoscopia, mas por conta dos meus piercing's do rosto o médico disse que eu iria fiar com câncer e me passou exame de hepatite e me recusou a endoscopia, por pura implicância ao meu estilo”, afirma Thais.

Ela ressalta que é comum esse tipo de reação e que nem sempre se trata de preconceito, mas sim conflitos de opinião e gostos. “Não acredito que fique no passado definitivamente e nem que as pessoas são totalmente intolerantes”, completa. 

Para quem se interessar pela prática é importante a procura por estabelecimentos que se enquadrem nas regras impostas pela Vigilância Sanitária. Além da técnica necessária para os procedimentos é importante que os materiais sejam esterilizados.

Essa entrevista foi realizada no ano de 2013 e publicada originalmente na Revista Rock Reload, como material de conclusão de curso nas Faculdades Integradas de Jaú.