Longe das polêmicas e opiniões controversas sobre a jogada
de marketing da banda irlandesa junto ao Itunes, me atenho apenas a analisar
como fã assíduo, a mais nova obra de uma de minhas bandas preferidas na década
1990 até a metade dos anos 2000. Não serei alguém que joga fora todos esses
anos de adoração pelos discos épicos e pelas várias vezes em que este quarteto
resolveu inovar e promover os maiores espetáculos midiáticos do showbizz, não é
essa a intenção. Mas o recém lançado “Songs of Innocence” nos proporciona uma
aventura musical nova e estranha demais.
Sua audição é sugestiva e tem pitadas que nos remetem à
sonoridade que consagrou os seus melhores clássicos nas décadas de 70 e 80, com
“Sunday Bloody Sunday” ou “Where The Streets Have No Name”. Sei lá, de repente
de tanto criticar, senti falta das guitarras carregadas de “delays” e “reverbs”,
das tímidas distorções que balançavam com o gangorrear do pedal “wah –wah”. Sim
elas aparecem, mas em grandiosidade duvidosa.
Brinquei ainda ontem com um amigo que um dia fora fã de Bono
Vox e equipe: “Cara a audição deste disco é custosa.”
Em minha cidade há um viaduto inclinado em 90 graus, os
carros mais possantes sobem sem maiores esforços, os motores mais fracos andam
como tartarugas. De tão inclinado, um dia o viaduto teve o carinhoso apelido de
lançador de foguetes. Subir de bicicleta? Só se for empurrando para chegar mais
rápido e com as pernas inteiras. Mas eu já presenciei alguém tentar subir o
viaduto montado em uma mobilete daquelas antigas de 50 cilindradas. Subiu,
mas...
Ao ouvir o novo disco do U2, não encontrei metáfora melhor
para explicar o quanto o disco demora a deslanchar. Estranho pois nos áureos tempos,
os hits já vinham “na cara”, logo nas primeiras faixas, o que nos dava algum
fôlego e acabava “vendendo” o disco e o livrando de quaisquer desconfianças.
Parece até que o disco foi gravado ás pressas, apenas para cumprir contrato e
render mais alguns milhões de dólares ao império bonovoxiano. Parece? Bom o
disco foi anunciado em um junho, salvo engano, assim que os primeiros bochichos
surgiram os fofoqueiros mais graduados do showbizz logo vazaram até as supostas
datas da banda para 2015, algumas sugeriam a vinda do U2 para o Brasil.
Muita conversa e pouco som. Vou escutar os discos “Hattle
and Hum”, “Acthung Baby”e “POP”, pois controverso por controverso eu fico com
os discos que marcaram a sonoridade destes caras em mim!

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