Sep 13, 2014

Nunca. Jamais você terá comprado tudo o que deseja.

Essa semana, inspirado por um livro de Clóvis de Barros Filho e Mário Sérgio Cortella, dediquei-me a provocar algumas auto-reflexões sobre a ética, sobre o comportamento humano nos dias atuais, assim como me sugerir alguns posicionamentos sobre temas que nem sempre tive coragem/vontade de refletir. Embora não tenha sido citado diretamente no livro, o primeiro tema que me provocou uma profunda reflexão sobre os meus hábitos e das pessoas que convivem diariamente comigo é o consumo.

E como a reflexão acabou atraindo situações de aprofundamento, no decorrer da semana, tive o prazer de ter um contato com um casal que aplica como ninguém a prática do desapego e da simplicidade. E você vai entender o que eles tem a ver com a minha reflexão nas próximas linhas. Ele Reginaldo, ela Juliana, ambos acompanhado por uma pequena cadelinha Schnalzer chamada Sofia, viajaram 53 mil quilômetros pelo Brasil e por países da América do Sul. Junto com roupas sujas e canseira, trouxeram na bagagem experiências, contatos, lições e aprendizados, resultado do contato direto com culturas e pessoas de tudo quanto é jeito.


Num destes dias em que pude assistir às suas palestras, o tema consumo foi abordado de forma singular e indireta por eles. Afinal eles tiveram que aprender a conviver com pouco, aprenderam a contar com a ajuda das pessoas para as mais diversas situações. Racionar a comida, contabilizar os gastos com a gasolina do carro, gerenciar roupas entre outras ações, foram resumidas em poucas palavras durante a palestra. Afinal, quando você para de consumir, sua vida começa a entrar nos eixos, você sente paz, principalmente quando consegue eliminar dívidas advindas de suas práticas antigas. Quanto menos você consome, mais você percebe que não precisa consumir tanto, e quanto mais você cria essa percepção se torna uma pessoa simples que sabe apreciar as coisas simples da vida e não se martiriza por não ceder aos apelos da "usina de consumo".

Aliás, voltando ao livro tirei uma reflexão sobre qual é o poder exercido pelo consumismo em nós:

Nunca. Jamais você terá comprado tudo o que deseja. Essa é a promessa mais visceral que o consumismo tem para você. Porque no sistema, o seu querer só é um sonho/desejo até o momento em que você compra. A partir do momento em que você comprou o que queria, o consumismo exclui a sensação de desejo sobre aquilo e aquilo passa, a partir do instante seguinte da compra, a não servir mais como um sonho ou desejo que valha a pena. É um saco sem fundo, um gerador de insatisfação infinito. Você quer até ter, depois aquilo não serve mais, você precisa ter mais que aquilo, porque você entrou na corrente deste rio de águas turvas e perigosas do consumismo.

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