Essa semana, inspirado por um livro de Clóvis de Barros
Filho e Mário Sérgio Cortella, dediquei-me a provocar algumas auto-reflexões
sobre a ética, sobre o comportamento humano nos dias atuais, assim como me sugerir
alguns posicionamentos sobre temas que nem sempre tive coragem/vontade de
refletir. Embora não tenha sido citado diretamente no livro, o primeiro tema
que me provocou uma profunda reflexão sobre os meus hábitos e das pessoas que
convivem diariamente comigo é o consumo.
E como a reflexão acabou atraindo situações de
aprofundamento, no decorrer da semana, tive o prazer de ter um contato com um
casal que aplica como ninguém a prática do desapego e da simplicidade. E você vai entender o que eles tem a ver com a minha reflexão nas próximas linhas. Ele
Reginaldo, ela Juliana, ambos acompanhado por uma pequena cadelinha Schnalzer
chamada Sofia, viajaram 53 mil quilômetros pelo Brasil e por países da América
do Sul. Junto com roupas sujas e canseira, trouxeram na bagagem experiências,
contatos, lições e aprendizados, resultado do contato direto com culturas e pessoas
de tudo quanto é jeito.
Num destes dias em que pude assistir às suas palestras, o tema
consumo foi abordado de forma singular e indireta por eles. Afinal eles tiveram
que aprender a conviver com pouco, aprenderam a contar com a ajuda das pessoas
para as mais diversas situações. Racionar a comida, contabilizar os gastos com
a gasolina do carro, gerenciar roupas entre outras ações, foram resumidas em
poucas palavras durante a palestra. Afinal, quando você para de consumir, sua vida
começa a entrar nos eixos, você sente paz, principalmente quando consegue
eliminar dívidas advindas de suas práticas antigas. Quanto menos você consome,
mais você percebe que não precisa consumir tanto, e quanto mais você cria essa
percepção se torna uma pessoa simples que sabe apreciar as coisas simples da
vida e não se martiriza por não ceder aos apelos da "usina de
consumo".
Aliás, voltando ao livro tirei uma reflexão sobre qual é o
poder exercido pelo consumismo em nós:
Nunca. Jamais você terá comprado tudo o que deseja. Essa é a promessa mais visceral que o consumismo tem para você. Porque no
sistema, o seu querer só é um sonho/desejo até o momento em que você compra. A
partir do momento em que você comprou o que queria, o consumismo exclui a
sensação de desejo sobre aquilo e aquilo passa, a partir do instante seguinte
da compra, a não servir mais como um sonho ou desejo que valha a pena. É um
saco sem fundo, um gerador de insatisfação infinito. Você quer até ter, depois
aquilo não serve mais, você precisa ter mais que aquilo, porque você entrou na
corrente deste rio de águas turvas e perigosas do consumismo.


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