Antes de mais nada, não ganho nada para fala bem do Rock In
Rio. Até porque eles nem precisam disso, a marca é sem dúvida uma potência no
meio artístico. E antes que algum chatonildo me questione sobre o termo
“marca”, é sim uma marca, gera renda, emprego, movimenta absurdamente a
economia local e é reconhecida no mundo inteiro. Então se você fica beiçudo em
ver Ivete Sangalo lá, saiba: não é nada pessoal, são negócios.
Vou relatar nas próximas linhas a experiência ímpar de viver por pelo menos um dia essa atmosfera incrível do RiR. Obviamente escolhi a data que mais condiz com meu gosto e afinidade musical, o último dia. A banda que mais gosto me fez percorrer mais 700 quilômetros e a escolha foi certeira, lá só assisti shows bons (confira crítica banda a banda). Mas além de falar dos shows eu não poderia deixar passar em branco a quantidade de besteira que li e ouvi a respeito do festival.
Minha única crítica à organização é algo bem pontual. No último dia foi o único dia em que a fila para entrar na cidade do rock foi de mais de 2h. Consegui entrar somente por volta das 16h, considerando que o portão se abriu às 14h. Quando indaguei um policial ele fez as honrarias brasileiras e transferiu responsabilidades, “isso é com a organização. Só com esse público isso aconteceu, nos outros dias estava normal”, disse o fardado. Subentende-se que a necessidade de se revistar mais minuciosamente era visível. Mentira, se eu estivesse com algo ilícito não teriam pego, nem olharam o que tinha na minha mochila. Então acredito que tenha sido algo pontual, porém perdi o show do Viper/Andre Matos e do Krisiun com Destruction.
De resto recomendo a quem quiser curtir em 2015. O lugar é super de boa, grande, tem banheiros em ordem, vários tipos de comida (fast food) desde Bob’s , Pizza até Yakissoba. Tem lugar legal para descansar entre um show e outro. Você não precisa ir até as bebidas (água, refri, energético e Heineken) eles vem até você vender. Mas preparem o bolso, os preços são altos. Recomendo filtro solar, muita água e simpatia. Sim! Aquele discurso de “boa vizinhança” rola lá de verdade, vi várias cenas de camaradagem. Teve até uma hora que comentei com minha futura esposa que eu estava com dor de cabeça e um cidadão de sotaque do sul me ofereceu sua última neosaldina. Gente boa o parça né? Um bom lugar pra quem gosta de gente!
Crítica banda a banda
André Matos/Viper
Sim amigos! Eu não assisti, apenas ouvi de lá da fila que ficava atrás do palco Sunset. Mas tomei o cuidado de chegar em casa e assistir o show inteiro. André Matos mostrou porque ele ainda tem o respeito de uma legião inteira de fãs. A todo instante interagiu, agradeceu pelo apoio do público durante sua carreira. Cantou com maestria! Destaque para Fairy Tale (Shaman), Lisbon e Angels Cry (Angra), dois clássicos do metal nacional.
Krisiun/Destruction
Cara eu sou suspeito para falar do Krisiun. Um expoente nacional na música extrema, uma energia contagiante e adesão total do público! Fiquei orgulhoso em ver crianças curtindo o som! E depois desconfiam de nossos talentos (tsc tsc) Isso foi o máximo que deu para ver. O resto foi por vídeo, porque zicaram a fila e eu estava lá cozinhando no calor carioca.
Helloween/Kai
Hansen
Nunca fui muito fã do Helloween. Quer dizer, eles têm meia
dúzia de músicas que são clássicos do metal, mas meu contato nunca passou
disso. Mas sem dúvida nenhuma eu passarei a ouvir e dar maior atenção a esses
caras. O show foi impecável, contagiante e a galera parou a cidade do rock pra
assistir. Sr. Medina que perdoe, Helloween no palco Mundo e esse Rock in Rio
teria sido ainda mais antagônico. Eu arrisco a dizer que foi o melhor do Palco
Sunset neste dia, e que me perdoe a incrível performance do Zépultura.
Zépultura
A abertura com Dark Wood OF Error, do disco Dante XXI,
alertava para um show ainda mais destruidor do que o da quinta-feira no Palco
Mundo. Sepultura na minha opinião é a melhor banda do Brasil na atualidade,
representa como ninguém a evolução do gênero aqui. Um show cheio de
energia com Derick Green preenchendo
cada espaço vazio do palco com sua voz marcante. Mas a curiosidade toda
estava para ver no que ia dar o bem bolado com o Zé Ramalho. Eu curti muito, o
Zé tem uma pegada marcante e um vozeirão. Combinou com as fritadas do Eloy
Casagrande e as guitas distorcidas.
Kiara Rocks
Desconfiei desde a primeira vez em que soube que eles
tocariam no palco Mundo. Para mim, nada mais que uma força de bastidor para por
o Helloween no Sunset e o Kiara no Mundo. Aí começa o show e os caras, numa
sacada inteligente, chamam o público com um cover de Ages of Spades, do
Motorhead. Já as músicas autorais não prenderam a galera, mas
acredito que é por falta de intimidade com o público. A banda é ótima! E deu
pra sacar que a intenção deles é bacana.
Ainda mais quando eles trazem ao palco nada mais nada menos
que Paul Di’Anno (ex-Iron Maiden). Tudo bem, vou citar o Marcão do Charlie
Brown porque ele é sangue bom, mas os holofotes estavam voltados para o nobre
careca cantador. Rolou até Ramones com a Blitzkrieg Bop e o Paul dando agudos
(hehehe). Highway To Hell, do AC/DC foi cantada em coro pela plateia! Sem falar
que Mr. Di’Anno ainda mandou de quebra a
Wratchild, gravado por Paul em seus tempos de Maiden.
Mesmo assim acho que tocar no Palco Sunset teria sido de bom tamanho... quem sabe no lugar do Helloween que deveria estar no Mundo.
Slayer
Mitos... não tenho muito o que comentar. Talvez umas das
bandas mais sangue no olho de todos os tempos. Seasons in The Abyss é um hino
do heavy metal. Mesmo com pouco carisma para agitar a galera, a banda foi
irretocável da primeira à última música. E como eu disse a um dos brothers que
conheci lá “eu nunca fui muito fã de Slayer em estúdio. Mas ao vivo os caras
são um soco no pâncreas. Muito bom!”
Avenged Sevenfold
Muita gente me perguntou o que eu achei, depois do show. Na
boa, o som deles realmente não me prende. Mas não acho ruim não, acho pesado,
bem produzido, bem arranjado e o show um mega produção. Em minha opinião foi o
som mais bem regulado, o conjunto visual mais organizado e atrativo, os caras
têm carisma. Mas passo essa bola para quem curte o som, pois o único som que eu
achei legalzinho chama-se Lost, e eles não tocaram no RiR.
Donzela de Ferro
Sonho realizado, deixemos o romantismo de lado. A regulagem
do som não estava legal, deu a impressão de que os caras usaram a “Moonchild”
como passagem de som. Se você procurar algum vídeo no You Tube vai ver que o
microfone do Bruce estava mudo nas primeiras palavras da letra. Mas como macaco
véio manda no zoológico, eles foram simplesmente fantásticos no quesito
set-list e performance. Tocaram a música que me fez começar a ouvir metal pra valer “Afraid
To Shoot Strangers” !! Isso já valeu a noite, o dia e o ano.
Quer algo mais rock ‘n roll do que você ferrar com o
patrocinador do evento (Heineken) dizendo que “a cerveja daqui não é muito boa
por isso eu trouxe a minha(The Trooper)”, abrir a garrafa e matar uma golada
pro mundo todo ver. Bandas novas, aprendam com o tio Bruce, rock é isso, ir
contra o gado!
