Gris Wolds. Projeto competente e de muito bom gosto
Fernando Lazari (guita e voz), Alexandre Lazzari (batéra) e Eduardo Nakagawa (baixo)
A primeira vez que vi esses caras tocando foi no falecido bar do Brian
(Jaú-SP) e fiquei de cara com a simplicidade e bom gosto do repertório.
Acredito que falta muito isso às bandas atuais, dizem que querem inventar moda,
mas na real, criatividade é sempre bem vinda. E isso não falta ao trio Gris
Wolds.
Mas como assim criatividade? eles tocam “covers”! Se essa frase passou
pela sua cabeça é hora de rever conceitos. Sou um pouco receoso com relação às
releituras, mas tiro o chapéu para seleção que esses caras fizeram. O rock
atual é feito de referências passadas, mas como, cargas d´agua, inovar em uma
banda cover? Conceitualizando, contextualizando, afinal o rock pode ser
redescoberto com muita competência.
Foi a primeira coisa que me veio à cabeça quando peguei o meu CD “Draggin
You To Hollywood”. Literalmente fui arrastado para os anos 80, década em que
não me recordo de muitas coisas, mas minha memória musical não me deixa na
mão. A maioria dos filmes desta década eu assisti na Sessão da Tarde, na década
seguinte. Sem pipoca, pois microondas na época era coisa de rico.
Por falar em pipoca olhem só a foto da embalagem do CD. Vou repetir o
que eu disse ao Fernando Lazzari quando ele me deu um exemplar: “Sensacional
isso cara!” Pois é, uma linda embalagem que simula um pacote de pipoca, destes
de cinema. Dentro, além do CD, um punhado de pedaços de isopor que sugeria a
pipoca. Tanto que derrubei algumas no chão, assim como acontece toda vez no
cinema.
Quanto às músicas vou primeiro falar daquela que mexeu mais comigo. A
faixa número sete. O Main Theme do filme De Volta Pro Futuro, que em minha opinião
disputa pau a pau com o Senhor dos Anéis como a melhor trilogia de todos os
tempos (só que foi feito quase 20 ano antes). Um rearranjo simples da guita, baixo
e batera, uns samplers com falas do filme no meio. Um tanto quanto nostálgico.
Resultado: fui ver o filme de novo, só pra não perder o costume.
O disco começa com a primeira faixa (ahh vá?) Alice, do filme Alice no
País das Maravilhas, e em alguns momentos eu jurei que era o Lian Gallagher
cantando. Não me pergunte porquê. Faixa 2 com Take My Breath Away, do filme Top
Gun. Faixa 3 do filme Mama Mia, do filme homônimo. Faixa 4 com Gosthbusters
(caralho aquele monstro de marshmallow do filme era muito bicha), mas a música
era legal, me lembro de ter feito uma arma para caçar fantasmas com um
aspirador velho de minha mãe na infância.
Sim eu tinha mania de imitar as cenas mais legais dos filmes... não ...
eu não era uma criança normal... ainda terei um amigo chamado Geléia...
Voltando ao disco! Faixa 5, The Lion Sleeps Tonight, essa é a faixa mais
divertida do disco, e não tem como não se lembrar da cena do Pumba peidando no
lago e a manada toda fugindo. Minha sobrinha de 2 anos de idade assiti esse
filme umas 27 vezes por dia. Ficou muito massa a levada reggae no instrumental!
Apumbauê... apumbauê! Hoje a noite aqui na selva, quem dorme é o Leão... show
de bola!
My heart Will Go On, da Celine Dion, ganhou uma levada a La Green Day,
que removeu completamente aquela coisa melosa da música. O que me lembro do
filme? Sei lá, fiquei com tanta raiva do Leonardo de Capprio na época que
enfiei na cabeça que o filme era uma bosta. Hoje alguns anos depois eu continuo
achando a mesma coisa...
Mas música ficou foda, até porque a levada Green Day botou
a Celine no chinelo.
A faixa sete foi a primeira que falei...
Faixa 8 e final, cara eu gosto dessa música. Tanto na versão original
quanto na versão do U2 no disco “The Best of alguma coisa”. Essa versão do
Gris, não fica atrás. Fazem com um trio o que muita superbanda não consegue
fazer. Eficiente, divertido, despojado, com certeza está entre as gratas
surpresas dos últimos anos aqui no interior.


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